A cegueira branca do mundo atual

José Saramago foi um escritor português vencedor do prêmio Nobel de Literatura, sua obra mais famosa é o “Ensaio Sobre a Cegueira”. O livro é bastante metafórico e fala sobre uma epidemia de cegueira que devastou o mundo. Somos capazes de enxergar o mundo? Se sim, somos capazes de reparar além do que se vê?

Em pleno século XXI ainda vemos no mundo diversas situações de desigualdade. Pessoas são discriminadas por sua raça, classe social, gênero e orientação sexual. Os países criaram fronteiras, expulsam imigrantes, espancam e matam as pessoas diferentes.

Tendo isso em mente, fica difícil discordar da célebre frase dita por Saramago ao receber o prêmio Nobel de Literatura, em 1998. “Chega-se mais facilmente a Marte do que ao nosso semelhante”.

As pessoas continuam olhando para toda essa brutalidade que cerca-nos e parece que não podem ver além da ideia limitada que possuem. Discursos de ódio que já se tornaram clichês estão sendo entoados novamente, mesmo que a história já tenha cansado de mostrar que pensamentos assim não acabam bem.

Dito isso, podemos avaliar outra frase espetacular dita pelo português: “Se podes olhar, vê, Se podes ver, repara”. A frase é a epígrafe de “Ensaio Sobre a Cegueira”. Aparentemente, uma onda de cegueira se espalhou pelo mundo e ela não consegue enxergar o óbvio.

A frase de Saramago nos diz que, se podemos olhar, precisamos de fato ver o que se passa, precisamos observar o que acontece no mundo. E depois que conseguirmos ver, precisamos reparar, ou seja, analisar rigorosamente além do que se vê. Podemos dizer que nessa frase, Saramago nos instiga a usar o senso crítico, porém, a maior parte do mundo não consegue ver, e muito menos reparar.

O livro

Em “Ensaio Sobre a Cegueira”, de repente, um homem fica cego ao parar em um semáforo. Não é uma cegueira escura, e sim uma cegueira branca, como um mar de leite sobre os olhos.(SPOILER)

O motorista vai se consultar com um médico, que acaba ficando cego também. Aos poucos a doença vai se espalhando até atingir um alto número de pessoas. Inexplicavelmente, a única pessoa que não é afetada é a mulher do médico.

Numa tentativa de conter a misteriosa doença, o governo ordena que todos os cegos fiquem em quarentena dentro de um manicômio, recebendo apenas comida e suprimentos para sua sobrevivência.

No começo os cegos viviam de forma “organizada” mas com a crescente superlotação, o caos começou a se instalar. Ocorreram brigas por comida, os mortos não podiam ser enterrados, a higiene praticamente foi extinta, condições subumanas ocorriam e até mesmo estupro e assassinato.

A mulher do médico, como única com o dom da visão, era a responsável por cuidar do seu grupo de cegos, como uma protetora.

O livro fala sobre como a natureza selvagem do ser humano é despertada quando ele não consegue mais enxergar, no caso a metáfora seria para uma cegueira racional, ela leva as pessoas a cometerem atos brutais.

O livro é magnífico, mas caso vocês queiram, também vale a pena assistir ao filme. O filme “Ensaio Sobre a Cegueira” foi dirigido pelo brasileiro Fernando Meirelles e tem a icônica Juliane Moore, vencedora do Oscar de melhor atriz no papel da mulher do médico. O gostoso do Mark Ruffalo, Hulk, de Os Vingadores, está no papel do médico. 

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