Como a Borderline se manifesta na prática? Entenda o perfil do diagnosticado

Se você clicou nesse link então provavelmente já tem uma noção do que é o Transtorno de Personalidade Borderline. Para quem não sabe, seria interessante ler o artigo ‘Afinal, o que é Borderline?’.

Para resumir, essa condição se destaca principalmente pela instabilidade nas relações, seja com os outros ou consigo mesmo. Sintomas como impulsividade, abuso de drogas, medo de abandono e automutilação são comuns.

Mas enfim, com tanta informação teórica sobre a doença, muitas pessoas ficam sem entender como isso acontece na prática. É exatamente isso que vamos explicar hoje.

Amanda, 20 anos, estudante

Imagine uma garota chamada Amanda, no auge de seus 20 anos, ela está cursando uma graduação em Pedagogia, por exemplo. A jovem é diagnosticada com o TPB, no entanto falando inicialmente não há nada que a diferencie de outras pessoas.

Imagine agora que Amanda é filha única e cresceu com pai e mãe juntos. Entretanto, a garota conviveu toda a vida sob a sombra do primo cerca de 6 anos mais velho, que por algum motivo era preferido da família.

Imagine agora que ao longo de toda a infância e juventude, esse primo cometeu tantos erros quanto ela, no entanto, os erros e defeitos de Amanda eram sempre considerados como ‘piores’ do que os do garoto.

Quando tinha 10 anos, Amanda passou a ser sexualmente abusada por esse primo maior. Por medo, ela só conseguiu contar para a família quando tinha 14 anos. No entanto, os parentes duvidaram da veracidade da história e simplesmente ignoraram a jovem.

Amanda acabou crescendo com a ideia de que é insuficiente, que não é boa o bastante e por isso não pode ter relacionamentos interpessoais. Além disso, já que era ignorada em casa, cresceu sem ter um tratamento psiquiátrico adequado. Sem conseguir se identificar com os colegas de escola, buscou refúgio no cigarro, que passou a ser a única ligação que tinha com outras pessoas.

Amanda se tornou pessimista, e sempre acaba afastando as pessoas que tentam se aproximar delas pois acredita que será sempre subjugada pois não é ‘boa o suficiente’ para que alguém goste dela.

Depois de se tornar maior de idade, os familiares de Amanda não quiseram mais ‘bancar’ a menina, e após muitas e muitas brigas, ela decidiu sair de casa. Ela conseguiu refúgio ao passar em uma faculdade e ganhar uma bolsa de auxílio, morando na universidade.

Amanda só foi descobrir sobre seu transtorno aos 20 anos, depois de começar a se queimar com os cigarros.

Bruno, 25 anos, trabalhador

Nesse segundo caso, imagine um rapaz de 25 anos chamado Bruno, ele trabalha como mecânico e mora sozinho.

Bruno teve uma infância comum, digamos assim. Sempre se deu bem com amigos e familiares, de modo geral. Entretanto, quando ele tinha 10 anos sua mãe veio a falecer tragicamente.

Seu pai acabou lidando com o luto através do alcoolismo, criando o jovem de forma autoritária a partir daí. A adolescência de Bruno foi solitária. Morando sozinho com seu pai, ele não tinha com quem conversar sobre seus sentimentos e emoções.

Sempre que tentava tocar no assunto de sua mãe ou de si mesmo, o pai se esquivava, sempre dizendo que essas conversas são coisas de ‘viado’, e incentivava o menino a lidar com seus problemas simplesmente os ignorando.

Cedo, Bruno começou a beber também. Com o tempo a quantidade de álcool foi aumentando, e ele passou a beber desenfreadamente. Sempre que tinha um problema, bebia.

Por consequência, começou a aplicar as mesmas ideias do pai nos outros. Acabou se tornando o cara que comete bullying na escola, reprimindo qualquer um que tentasse falar sobre relacionamentos de forma saudável.

Já maior de idade, perdeu também seu pai, e lidou com isso através do álcool também. Bruno não consegue ter uma relação saudável com ninguém, e sentindo isso acaba se auto sabotando.  

Hoje trabalha como mecânico e descobriu que tem o Transtorno Borderline depois de não passar nos exames para renovar sua carteira de motorista.

Os dois casos são exemplos clássicos de pessoas que acabaram desenvolvendo o Transtorno de Personalidade Limítrofe.

Amanda sofre com a instabilidade emocional, já que ao mesmo tempo em que tem medo de ficar sozinha, acredita que as pessoas ficariam melhor sem ela. Além do mais, os comportamentos autodestrutivos como fumar e se automutilar se enquadram na doença.

Por outro lado, Bruno insiste veementemente em reprimir o próximo, ele tem raiva de quem consegue lidar com suas emoções de forma saudável, já que ele não consegue. O vício e a ideia de que ele é a solução dos problemas são sintomas de quem sofre de Borderline. Além do mais, a raiva e a impulsividade acabam guiando sua vida.

Embora o transtorno se caracterize por sua polarização (bom ou ruim, muito ou pouco), a doença não se resume apenas nessas duas situações. É sempre bom deixar claro que são exemplos apenas.

O fato é que a maioria das pessoas que desenvolvem Borderline passaram por problemas familiares intensos.

Não perca o texto da semana que vem: Como lidar com alguém que sofre de Borderline.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s