Relatos de um border: Enquanto existir a mínima razão para continuar, continue

Esse é o primeiro artigo de um projeto onde entrevisto pessoas com o Transtorno Borderline. O propósito é divulgar relatos para que os borders se sintam menos sozinhos. A primeira entrevistada é Gabi. Ela tem 19 anos, geminiana e tem uma namorada faz 2. Gabi é a criadora da página Brotherline.

Como foi diagnosticada? Passou por alguma situação que te levou a isso? E como foi sua reação?

Na verdade sempre tive o diagnóstico de transtorno bipolar, o psiquiatra dizia que não poderia me dar um diagnóstico de borderline (que era o que ele achava que eu tinha) antes dos meus 18. Então quando cheguei aos 18 recebi o diagnóstico.

Segundo Gabi, ela era bastante explosiva e era chamada de ‘sentimental’. Além do mais, ocorreram várias tentativas de suicídio e seus relacionamentos duravam pouco.

Como eu já esperava esse diagnóstico eu comecei estudar um pouco sobre ele, e quando o doutor me passou, eu fiquei bem balançada, fiquei com medo de como isso iria me prejudicar.

Como o transtorno afeta sua vida?

Afeta em tudo, principalmente no humor. Eu sinto que tudo que acontece em minha volta está relacionado a mim, se tem um grupinho rindo do meu lado eu logo penso que é de mim. Eu fico triste quando algo não acontece do jeito que eu queria. Eu sinto vontade de esmurrar as paredes quando algo me estressa, e olha que não precisa de muito para me estressar.

Mas o pior é sentir vontade de morrer a maior parte do tempo…

O que você faz para se entreter e ignorar o transtorno?

Normalmente eu bebo, saio com os amigos, e tomo um pouco de Clonazepam.

O que é gatilho pra você?

Relatos de abusos sexuais e principalmente brigas familiares.

Você acha que existe um grande fato específico que te fez desenvolver o transtorno?

Meu pai alcoólatra, minha mãe tem ansiedade e eu sofri abuso. Então a criação ajudou um pouco.

Como está sua saúde mental atualmente? Como se sente?

Me sinto anestesiada, como se estivesse em mundo cinzento, à espera do pior acontecer.

O que você está fazendo para se ajudar?

Sinceramente? Bebendo e assistindo séries.

Quais suas perspectivas para daqui 1, 5 e 10 anos?

Se eu não tiver cometido suicídio, quero estar cursando ou terminado a faculdade de psicologia.

O que te acalma nos momentos de crise?

Nos momentos de crise o que me acalma é uma música do Esteban chamada Segunda Feira, um pouco de água, um abraço e às vezes caminhar me acalma também.

Mesmo sofrendo bastante, Gabi continua vivendo e espero que continue por muitos e muitos anos. No fim da conversa ela me disse uma frase forte que serve para mim, para ela e acredito que para todos nós:

Enquanto existir a mínima razão para continuar, continue.

Obs: Quem quiser fazer seu relato deve entrar no grupo da página no Facebook e Whatsapp, vou perguntar por lá.

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