‘O mal do século é a solidão’: Os últimos dias de Renato Russo

A madrugada do dia 11 de outubro de 1996 ficou marcada como o momento em que o último grande compositor brasileiro faleceu. Sucumbindo pela Aids e definhando pela depressão, os últimos dias de Renato Russo foram bastante conturbados.

O trabalho de Renato no Aborto Elétrico e no Legião Urbana é indiscutivelmente brilhante, tal feito o colocou como 25º maior artista da música brasileira, segundo a Rolling Stone. A revista o colocou à frente de nomes como Zé Ramalho, Nelson Cavaquinho, Cazuza e Gal Costa.

No entanto, o que vamos abordar aqui não é o já conhecido trabalho citado, mas sim os últimos dias de Renato Russo e como seu estado afetou suas obras derradeiras. Mais especificamente, falaremos sobre a difícil situação que o artista passou e o reflexo disso em ‘A Tempestade’ e ‘Uma Outra Estação’.

renato russo morte
Brasil, São Paulo, SP. 17/06/1994. O vocalista da banda Legião Urbana, Renato Russo, é visto durante show em São Paulo. Pasta: 21790 – Crédito:MILTON MICHIDA/AGÊNCIA ESTADO/AE/Codigo imagem:19978

Aids, drogas e a depressão: Os últimos dias de Renato Russo

Você bem deve saber que o dono de uma das mais potentes vozes da história musical brasileira foi diagnosticado com o HIV e desenvolveu a Aids. Renato acabou se contagiando por meio de Robert Scott Hickmon, um roqueiro de Nova York que conheceu no fim de 1989.

Segundo Leonice de Araújo Coimbra, a famosa amiga Leo (inspiração para ‘Eduardo e Mônica’), o ex-namorado de Scott estava padecendo por causa da Aids e Renato sabia disso. ‘Foi fogo. O namorado do Scott estava em estado terminal de Aids e mesmo assim o Renato Russo se envolveu com ele’.

Os dois chegaram a morar juntos em Brasília até o meio de 1990, depois de usarem heroína, Scott voltou para os Estados Unidos e nunca mais foi visto. Leo conta que recebeu Renato em sua casa e ele segurava o resultado do exame, chorando ele a abraçou e contou que contraiu o vírus.

ARQUIVO 05/10/2016 CADERNO2 / CADERNO 2 / C2 / RENATO RUSSO / LEGIÃO URBANA CRÉDITO: ACERVO ESTADÃO

Embora os amigos próximos soubessem, Renato nunca admitiu publicamente que tinha HIV, nem mesmo para sua mãe, que aliás, descobriu isso quando a TV anunciou a causa da morte do cantor.

Renato sofria muito com o tratamento da doença, sobre tomar o coquetel contra o HIV, ele disse que ‘É como se tivesse comendo um cachorro vivo. E o cachorro me come por dentro’. Renato nunca teve medo de morrer pelo vírus, no entanto ficava irritado com a medicação que tinha muitos efeitos colaterais: ‘Chegamos a brigar por telefone porque ele queria parar de tomar os remédios que o mantinham vivo’, conta Leo.

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